Administração do caixa da pequena empresa em tempos de crise

ACIF em Revista - edição 276 - Dezembro

 

No período de 2014 a 2016, o Brasil passou pela maior crise econômica da sua história. Com a recessão, a confiança do consumidor esvaeceu, as vendas foram reduzidas drasticamente e toda a cadeia produtiva foi afetada, deixando milhões de brasileiros desempregados. Desde então, empresas foram fechadas e aquelas que ainda sobrevivem não conseguem visualizar luz ao fim do túnel, já que a recuperação do país ainda se mostra tímida.

Para aqueles negócios ainda sobreviventes superarem esse momento de baixo crescimento econômico, principalmente as pequenas empresas de varejo, se faz necessário redimensionar os planos, a previsão de gastos e a situação financeira, a fim de poder equacionar o fluxo de caixa de maneira satisfatória.

O primeiro passo para executar essa tarefa árdua é verificar a real necessidade do nível de estoques, avaliando seu custo de oportunidade (o custo do estoque parado na loja versus a sua aplicação no caixa da empresa ou até mesmo em uma aplicação financeira). Outro ponto é a avaliação da margem de lucro, individual, e o cálculo do giro de estoque, o que permitirá realizar compras mais assertivas de acordo com cada época do ano e histórico de vendas.

Há também a necessidade de negociar valores, descontos e prazos com fornecedores, com o objetivo de ganhar condições que impactem positivamente o caixa da empresa. O custo de entrega e fretes também precisam ser mensurados, comparando esses gastos versus retirada própria, não se esquecendo de avaliar o risco de desvios e seguros de mercadorias.

Para aquelas empresas que estão com alto nível de endividamento, ter uma boa reciprocidade bancária, pode contribuir para reduzir o pagamento de taxas e tarifas bancárias, além obter opções de crédito, evitando o pagamento de grandes amortizações quando o fluxo de caixa está desfavorável.

As vendas a prazo, promoções e liquidações não devem ser realizadas apenas para aumentar o faturamento. Por isso, antes de realizar ações de grande impacto para o seu cliente, procure mensurar detalhadamente todos os custos envolvidos na campanha, evitando que o resultado final seja o prejuízo.

Já as perdas no varejo ocorrem de diversas formas e muitas das vezes não são percebidas, mas impactam diretamente o caixa da empresa. Por isso, a automatização dos processos, com aferição dos estoques de forma contínua são componentes necessários para evitar as perdas no varejo.

Os controles financeiros de contas a pagar e a receber são de extrema importância, pois é através deles que o empresário poderá verificar a prioridade dos desembolsos, identificando os mais urgentes e planejando os demais para pagamento futuro. Com o controle de contas a receber em dia, é possível analisar o cadastro de inadimplentes, propondo renegociações, a fim de gerar recursos financeiros no caixa da empresa.

Por fim, rever os processos da empresa, eliminando tarefas desnecessárias e onerosas, contribui para otimizar a força de trabalho, melhorando a produtividade de equipe e, se possível, reduzir custos.

Enfim, essas são algumas providências que podem ser tomadas a fim de buscar uma melhor administração no caixa de uma pequena empresa, principalmente, neste momento que a economia brasileira está em baixa e que, certamente contribuirão para o desenvolvimento no negócio a médio e longo prazo.

 

 Leia a revista completa: https://bit.ly/2E2pxmA 

Rodrigo Souza - Consultor Empresarial

  •