Aparelho de TV será principal presente no Dia das Mães

13/04/2018

O Dia das Mães promete ser melhor em 2018: com a queda nos juros e o alongamento nos prazos de pagamento, o A projeção é da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

No ano passado, a alta média da primeira quinzena ficou em 1,25%, puxada pelas vendas à vista, que cresceram 4,7%, contra uma queda de 2,2% nas vendas a prazo.

Mas em 2018 haverá uma mudança de perfil nas compras para a data comemorativa, já que a Copa do Mundo deve puxar as vendas de bens duráveis a prazo, como TVs, afirma Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais de São Paulo (Facesp).

O destaque em 2018, reforça, deve ser o televisor, já que a indústria brasileira produziu 41,1% a mais de itens da chamada linha marrom em fevereiro ante igual mês de 2017, afirma.

“E o comércio vai usar o mote da Copa para vender mais, aproveitando que essa é a segunda melhor data comemorativa para o varejo (só perde para o Natal)”, completa Burti.

Apesar da base fraca do ano passado, esse sinal antecedente de produção mostra que a indústria “está animada”, afirma Emílio Alfieri, economista da ACSP. Ele detalha em números: em 2014, que também foi ano de Copa, e no Brasil, o comércio vendeu 15 milhões de TVs – um recorde, segundo o economista.

A partir de 2015, esse número caiu pela metade, intensificado pela crise, e foram vendidas 8,6 milhões de unidades. Em 2016, foram 8,4 milhões, e só no fim de 2017 as vendas de TVs voltaram a se recuperar, fechando o ano com 11,5 milhões de unidades comercializadas.

“A aposta é vender mais no primeiro semestre, para o Dia das Mães e a Copa”, diz Alfieri. “Vamos ver se chega perto desse número, senão, vai ficar para a Black Friday ou o Natal.”

Se em 2017 as comercializações de roupas, calçados e artigos pessoais dominaram as vendas para o Dia das Mães, esse ano vai ser bem diferente, já que as vendas a prazo vão superar as vendas à vista, segundo o economista.

“O IBGE (divulgado nesta quinta-feira, 12/04) mostra que não são essas vendas que estão puxando. Tanto que elas caíram 5,8% ante fevereiro do ano passado”, afirma.

Para melhorar as vendas desses produtos da coleção outono-inverno, só se o clima esfriar, segundo Alfieri. “Senão, pode vir igual ou até menor que o do IBGE.”

PERSPECTIVA CONTINUA POSITIVA

Ao avaliar o crescimento de 1,3% registrado pelo varejo restrito nacional em fevereiro divulgado hoje pelo IBGE, o presidente da ACSP/Facesp Alencar Burti diz que o resultado foi “inesperado.”

Em sua opinião, o número veio abaixo das expectativas, que giravam em torno de 3%, uma vez que os fundamentos macroeconômicos sugeriam essa alta e a base de comparação é fraca.

“Essa surpresa é difícil de ser explicada, mas não deve se repetir nos meses seguintes”, afirma Burti, lembrando que o setor vem crescendo há 11 meses consecutivos, segundo o IBGE.

Outra observação de Burti é que o desempenho dos setores não é uniforme: enquanto veículos subiram 20% e móveis e eletroeletrônicos aumentaram 3,2%, outros como tecidos (-5,8%), combustíveis (-7%) e livros (-5,8%) caíram.

Em linhas gerais, segundo ele, o varejo vem se recuperando há quase um ano e deve manter essa trajetória nos próximos meses.

“É preciso, contudo, que o Banco Central faça novos cortes na taxa de juros, aproveitando que a inflação está abaixo do piso da meta (2,68%) para continuar a estimular esse crescimento”, finaliza.  

FOTO: Wesley Santos/Estadão Conteúdo

 

Fonte: Diário do Comércio - Karina Lignelli

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