Como os pequenos podem ganhar o mundo

13/06/2018

Fundada em 2008, a Der Metropol, confecção de moda masculina, desenvolve peças que misturam elementos de alfaiataria num estilo urbano e esportivo, cheio de estampas coloridas.

A pequena empresa já participou de eventos de negócios em Londres, Paris e Veneza, onde seu fundador, Mario Francisco negociou com empresários e firmou contrato para fornecer para lojas italianas.

Nas prateleiras do país europeu, produtos da Der Metropol foram vendidos ao lado de peças de grandes marcas, como Givenchy e Dolce Gabanna. Francisco também forneceu para o grupo H.P France, de origem japonesa. Entre os produtos vendidos havia jaquetas de R$ 1,7 mil, a preço de atacado.

Há um ano, Francisco está capitaneando um processo de renovação da marca –e o foco em exportação continua no radar do estilista empreendedor. Ele foi um dos participantes do Exporta Zona Sul, evento realizado na última quarta-feira (6/06), na Distrital Sul da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Organizado pela ACSP em parceria com o CECIEx (Conselho Brasileiro das Empresas Comerciais Importadoras e Exportadoras) e o Sebrae-SP, o encontrou serviu para orientar empreendedores a preparar suas empresas para vender mundo afora.

 

“Exportar é uma estratégia de trabalho continuo que não pode ser requisitada apenas em momentos de crise”, diz Rita Campagnoli, presidente do CECIEx e membro do Conselho Deliberativo da ACSP.

Nos últimos anos, com a queda no consumo interno, muitas empresas buscaram o mercado internacional como fonte de receita. Em 2016, a balança comercial brasileira bateu recorde de superávit e as exportações somaram US$ 185,2 bilhões.

No ano passado, de acordo com a Organização Mundial do Comércio, a exportação brasileira cresceu acima da média mundial. Houve avanço de 17,5%. O resultado levou à ampliação da participação do país nas vendas mundiais para 1,23% do total - contra 1,16% em 2016. Em 2013, antes da crise, o índice sido de 1,28%.

Mas ainda há muito campo para crescer. Entre as cerca de 3 milhões de empresas paulistas, apenas seis mil exportam, de acordo com Gustavo Carrer, consultor do Sebrae.

EVENTO REALIZADO NA DISTRITAL SUL DA ASCP REUNIU CERCA DE 250 EMPREENDEDORES E CONSULTORES PARA INCENTIVAR EXPORTAÇÃO ENTRE PEQUENAS EMPRESAS (Foto: Adilson Araújo)

PARA SAIR DA ESTACA ZERO

No evento, os palestrantes foram unânimes em afirmar que exportar é uma maratona – não uma prova de 100 metros. Isso quer dizer que é necessário um extenso trabalho de preparação, comprometimento e tentativas (e erros) para conseguir manter uma agenda de vendas.

Um dos primeiros passos para tanto pode ser realizar um diagnóstico online no site do Sebrae. São 25 perguntas sobre a gestão do negócio, seus produtos e mercados e a fase de exportação em que se encontra a empresa.

O questionário gera um relatório, gratuito. De acordo com a maturidade, a empresa pode receber diferentes consultorias do Sebrae e ser convidada a participar do Programa de Qualificação para Exportação (Peiex), da APEX Brasil.

O Peiex é um projeto que visa estimular a competitividade e qualificar indústrias iniciantes em comércio exterior. Há visitas de técnicos que avaliam e ajudam a implementar melhorias em diversas áreas, como prospecção de mercado internacionais, marketing, distribuição, precificação, financiamento e envio de remessas.

As empresas também são convidadas a participar de feiras, convenções e rodadas de negócios internacionais.

DENISE, DOS CORREIOS, SILVANA, DA SP NEGÓCIOS, RITA, DO CECIEX, MARY, DO IPT E CARRER, DO SEBRAE: EXPORTAÇÃO É PROJETO DE LONGO PRAZO (Foto: Adilson Araújo)

Em São Paulo, há três núcleos de atendimento a empreendedores. Um deles é mantido em parceria com a SP Negócios, agência de promoção de exportação e investimentos do município de São Paulo, e a Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap).

A faculdade é responsável por formar e ceder profissionais que orientam os empreendedores.

De acordo com Silvana Gomes, gerente executiva da SP Negócios, o programa ajuda a empresa a criar um plano de exportação, que envolve uma análise interna e do mercado internacional, adequação de produtos e serviços, precificação e negociação com estrangeiros.

Ela revelou que em 2017, o município exportou US$ 8 bilhões. Em 2018, a estimativa é otimista. No primeiro quadrimestre, houve crescimento de 70% no volume de vendas internacionais.

 

PRODUTOS E DISTRIBUIÇÃO

Uma das barreiras que afastam empreendedores da exportação é a adequação de produtos e embalagens para o consumidor estrangeiro. Com frequência, os países compradores adotam normas e regulamentações para garantir padrão de qualidade, segurança e proteção à saúde ao meio ambiente.

O lado positivo é que o governo paulista possui uma parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para subsidiar adequações de produtos para exportação.

Com foco em micro, pequenas e médias indústrias, o IPT oferece o PROGEX, programa que fornece consultoria em qualidade de produto e processos produtivos, redução de custos e qualificação para obtenção de selos e marcações internacionais.

Outra dica debatida no evento foi o Exporta Fácil, dos Correios, exposta pela executiva Denise Rodrigues. O sistema de logística simplificado permite que empresas e até pessoas físicas, como artesãos, envie produtos para 217 países.

O serviço possui fretes tabelados em reais (o que evita custos com mudanças cambiais) e realiza automaticamente o registro da exportação, entre outros documentos, junto à Receita Federal.

IMAGENS: Thinkstock e Adilson Araújo

 

Fonte: Diário do Comércio - Italo Rufino

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