(Re) territorialização: uma Franca homogênea ou integrada?

ACIF em Revista - edição 279 - Março

 

As cidades se transformaram ao longo dos tempos passando por vários estágios de reorganização geográfica. Uma metáfora curiosa apresentada pelo arquiteto britânico Cedric Price compara as cidades com um ovo em seus três estágios: cozido, frito e o mexido. “O ovo cozido é uma metáfora em relação à cidade medieval, onde se encontra uma forte distinção entre o centro e o campo. O ovo frito representa a cidade pós-revolução industrial, após o rompimento dos muros e a continuidade da urbanização acompanhando os fluxos de circulação. O ovo mexido reflete a tendência à dissolução do núcleo central e à crescente permeabilidade em todos os limites, representada por um diagrama composto por fragmentos dispersos sobre uma região urbanizada, pontuada por eventuais concentrações”.

Quando observamos a cidade de Franca percebemos como seus corredores comerciais cresceram ao longo das últimas décadas. Tirar seu carro da garagem para ir até o Centro da cidade fazer compras não é mais tão usual. Para ter uma ideia – conforme dados do Instituto de Economia ACIF – das empresas abertas no ano 2000, 12% escolheram se localizar no Centro da cidade. Entretanto, quando olhamos para o ano de 2019 – apenas 0,2% das empresas abertas na cidade tomaram como escolha abrir as portas no Centro de Franca.

Corredores comerciais se consolidaram, como: Avenida Dr. Abrahão Brickmann, Rua Francisco Marques, Avenida Brasil, dentre outros. Outros corredores nasceram – como foi o caso da Rua Álvaro Abranches e Avenida Paulo VI. Sobretudo, cada corredor se desenvolveu construindo nichos de mercado e novidades para a cidade – nunca com a intenção de segregar, mas sempre de integrar.

Fatalmente, o Centro de Franca ainda mantém sua primazia em relação ao número de estabelecimentos comerciais, mas bairros como Cidade Nova, Vila Aparecida, Estação e São José abrem cada vez mais portas de comércio buscando seus clientes. Cada vez mais consumimos próximo as nossas casas – esse é o momento de analisar cada rua do seu bairro e ver as oportunidades que surgem para empreender.

Sabemos agora – pela metáfora de Price – que Franca se tornou ovo mexido. A pergunta que nos resta é: a cidade é homogênea ou integrada? Uma resposta difícil de articular, pois agora que estamos percebendo quanto nossa cidade cresceu, e sobretudo, vemos a necessidade de políticas públicas voltadas para um Planejamento Estratégico Urbano. Não basta mais que o município se preocupe apenas com problemas, esse é o momento de planejar – pois não podemos dirigir cidades do século XXI, com estruturas do século XX e dirigentes do século XIX. Nossa cidade precisa entender o que cada zona geográfica desenvolveu, potencializar suas fortalezas, atrair investidores e realizar um planejamento plurianual que seja independente de transições no governo municipal.

 

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Adnan Jebailey

Economista do Instituto de Economia ACIF

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