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A criatividade e o DNA do inovador

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Notícias 07 Ago, 2025
No artigo do Sebrae deste mês, o consultor de negócios do Sebrae-SP Flávio Silva fala sobre criatividade e inovação

Imagino que você não conheça ninguém que tenha acordado de manhã desejando que o pneu do seu veículo tenha furado durante a noite, só para ir naquele dia ao borracheiro. Apesar de ser pouco provável que alguém deseje ir ao borracheiro, existem diversas borracharias no país. E, quando estamos diante de um problema no pneu, buscamos esse serviço da forma mais ágil possível, não é mesmo? Isso acontece porque estamos diante de uma necessidade.                   

Agora, pode ser que você, neste momento, tenha feito planos para jantar uma pizza no final de semana ou comer algo bem gostoso. Podemos dizer que essa compra está mais ligada ao desejo de consumir. Não é, exatamente, uma necessidade, tal como é o serviço de um borracheiro, quando temos um problema no pneu. Esse raciocínio inicial serve para nos auxiliar a pensar que, em um primeiro momento, precisamos compreender bem as necessidades e os desejos dos clientes, para termos condições de inovar.

Depois, pode ser que algumas expectativas específicas venham a motivar a inovação. Por exemplo, alguém pode ter a necessidade de se locomover com agilidade de casa para o trabalho. A necessidade é de transporte. Agora, a mesma pessoa pode ter a expectativa de ter um transporte sob demanda, sem ter que depender de horário ou da disponibilidade de um lugar, de viajar sentada, sozinha – no sentido de não ter outros passageiros – e com o ar-condicionado ligado, sem ter que conversar, para poder ouvir sua música preferida pelo fone de ouvido ligado ao celular.

Poxa, parece que um ônibus do transporte público até atende a necessidade de locomoção dessa pessoa, correto? Porém, as expectativas de como a necessidade será atendida estão longes de serem satisfeitas pelas condições do transporte público. Talvez, uma empresa que oferece transporte por carros solicitados via aplicativo esteja bem mais próxima de fazer as duas coisas: atender a necessidade de transporte dessa pessoa e suas expectativas sobre como essa necessidade será atendida.

O entendimento do comportamento do consumidor passa pela compreensão inicial de suas necessidades e desejos. É, em última instância, por uma dessas motivações que alguém compra alguma coisa. É, portanto, por meio do entendimento do comportamento do consumidor sobre as necessidades e desejos, somadas às expectativas destes, que as empresas podem desenvolver soluções, sejam bens ou serviços.

Além de ter ferramentas para entender o comportamento do consumidor, é preciso ter outras, que nos forneçam condições para ter ideias sobre os problemas que as pessoas podem ter e, claro, sobre as soluções que podem resolver esses problemas. No entanto, não apenas resolver. Isso seria atender, primariamente as necessidades e desejos. Significa, também, resolver as necessidades e desejos atendendo as expectativas do público-alvo. Logo, precisaremos de ideias e mais ideias e é por isso que precisaremos da nossa amiga “criatividade”.

Neste momento, quero te convidar a aceitar mais um desafio simples. Pare por um momento, respire fundo e pense em quantos usos diferentes você daria para a serragem. Isto mesmo, a serragem de madeira. Para que você a usaria? Se quiser tornar o desafio mais interessante, anote em um papel ou no seu celular ou computador quantos usos você foi capaz de mapear. Depois, proponha esse desafio a alguém e compare as respostas. Talvez ideias surpreendentes apareçam. Talvez não. E se não aparecerem muitas ideias, não fique chateado(a). Tal como o empreendedorismo e a inovação, a criatividade também pode ser estimulada e desenvolvida.

Leonardo da Vinci, Nikola Tesla, Mozart, Marie Curie, Thomas Edison, Ada Lovelace e William Shakespeare, Albert Einstein, Pablo Picasso e o famoso Steve Jobs. Todas essas pessoas são exemplos de mentes criativas que já passaram por essa Terra, com criações em diversas áreas, das ciências à música.

Pois bem. Essas figuras são nomes conhecidos quando o assunto é criatividade. O que você talvez não saiba é que a maioria dessas personalidades habitou o mundo antes do conceito de criatividade começar a ganhar contornos.

Foi em 1950 que o psicólogo J. P. Guilford popularizou o termo “criatividade” ao apresentar seu trabalho sobre a existência de diferentes tipos de pensamento à Sociedade Americana de Psicologia. O que ele chamou de “pensamento divergente” seria o motor da criatividade, ao permitir que a pessoa pense diferente e encontra novas perspectivas e soluções para um problema ou situação. O estudo desse tema, portanto, é bem recente e podemos considerar a criatividade não apenas uma ferramenta para inovar, mas sim a principal matéria-prima da inovação.

Conhecer esse breve histórico, além de entender o conceito de criatividade, nos ajuda a compreender duas coisas importantes. A primeira é que a criatividade não é um dom natural do ser humano, reservado à poucos privilegiados. Ela pode, sim, ser estimulada e desenvolvida. A segunda coisa é que, embora o estudo da criatividade seja relativamente recente, já se sabe que o ser humano, com o passar dos anos, vê a sua capacidade criativa ir diminuindo.

A boa notícia é que não estamos condenados a perder a capacidade criativa para sempre. Podemos reavivá-la com algumas ferramentas e prática, que, inclusive, estão à sua disposição.

Para reforçar a compreensão dessa “perda” natural da criatividade, vejamos o resultado de uma pesquisa realizada por um cientista da Nasa, a agência aeroespacial norte-americana. Em seu livro “Ponto de Ruptura e Transformação”, George Land apresentou os resultados de testes para avaliar a criatividade, aplicados no ano de 1968, em um primeiro momento, em 1,6 mil crianças norte-americanas que tinham entre 3 e 5 anos de idade. O teste era baseado nos moldes que a Nasa utilizava para selecionar cientistas e engenheiros(as) inovadores(as). O resultado: 98% das crianças responderam o teste de forma altamente criativa.

Em seguida, psicólogos continuaram o teste. Aos 10 anos, as 1,6 mil crianças daquele grupo inicial foram testadas e somente 30% foram criativas nas respostas. Aos 15 anos, novamente o teste foi aplicado no mesmo grupo e apenas 12% deram respostas altamente criativas. Por fim, resolveram aplicar o mesmo teste a mais de 200 mil pessoas diferentes, todas acima de 25 anos. O resultado apresentou apenas 2% de pessoas que responderam de forma altamente criativa.

 

 

 

 

Flávio Silva - Consultor de negócios do Sebrae-SP na região de Franca  Foto: Imagem Ilustrativa Freepik 

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