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Quais os impactos das tarifas dos Estados Unidos sobre a exportação francana?

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Notícias 18 Ago, 2025
Confira o artigo do economista Rodrigo Souza, do IE-ACIF, sobre o tema

No segundo semestre de 2025, a economia brasileira enfrenta um ambiente mais desafiador, marcado pela manutenção dos juros em patamares elevados e pela persistência da inflação de preços no curto prazo. A esse quadro se somam as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, medida que afeta diretamente a competitividade das exportações nacionais.

O anúncio de que os produtos brasileiros exportados ao país norte americano serão taxados em 50%, repercutiram negativamente no ambiente de negócios da cidade de Franca SP e poderá trazer efeito em cascata, principalmente, no mercado formal de empregos.

Ocorre que a balança comercial francana, que foi superavitária no ano passado em US$ 248 milhões, ou seja, a cidade exportou (US$ 285 milhões) mais do que importou (US$ 36 milhões), tem como destaque a exportação de café e calçado, representando 76% das exportações da cidade.

No primeiro semestre de 2025, as exportações foram 4,6% menores que o mesmo período do ano passado, com destaque negativo para as exportações de café, que foram 16,5% menores, US$ 76,8 milhões, contra US$ 92,1 milhões de 2024. Por outro lado, os calçados cresceram 18,4%, no comparativo entre os períodos, US$ 33,5 milhões contra US$ 28,3 milhões de 2024.

As exportações ao país americano pesam mais para o setor calçadista, pois representaram 40,7% das exportações de 2025, contra 21,2% do setor cafeeiro.

Evolução das Exportações de Calçados (5 maiores países)

 

Fonte: Comex

 

Pela ótica do mercado formal de trabalho, os dois setores que mais exportam na cidade de Franca apresentam cenários opostos. Enquanto o setor calçadista é altamente dependente de mão de obra, o setor de café, cada vez mais automatizado, principalmente, no processo de colheita, emprega menos pessoas no mercado formal de trabalho.

Em junho de 2025, no mercado de formal de trabalho, o setor calçadista contava com 12.241 pessoas empregadas, apresentando estabilidade em relação ao mesmo período do ano passado. Para o setor cafeicultor, os dados são mais modestos contanto com 831 pessoas empregadas no mercado formal de trabalho no Cultivo de Café, segundo dados do novo Caged.

Diante dos dados setoriais do primeiro semestre de 2025, os efeitos da taxação dos produtos brasileiros terão maiores impactos sobre o setor calçadista, encarecendo o produto francano no mercado internacional, pressionando as margens, o que limita investimentos no setor. Além disso, a redução nas vendas externas levará a redução da produção e, consequentemente, impactando a geração de empregos na cidade de franca.

Segundo estimativas do IE-ACIF os impactos no mercado de trabalho poderão alcançar até 1.300 postos de trabalhos formais e informais, em toda a cadeia produtiva do calçado francano, caso nada seja feito para amortecer os efeitos da taxação no setor calçadista.

Apoio do Governo Federal

Governo Federal anunciou um pacote de medidas com o objetivo de aliviar os efeitos das tarifas americanas sobre os produtos brasileiros, preservando o nível de atividade econômica e a manutenção dos empregos, sendo elas:

  • Crédito de até R$ 30 bilhões via Fundo Garantidor de Exportações (FGE) com juros acessíveis, operadas por Banco do Brasil e BNDES
  • Suspensão de tributos para empresas exportadoras e extensão do prazo dos créditos fiscais.
  • Elevação do percentual de restituição de tributos federais para exportadores em 3% e até 6% para pequenas empresas.
  • Compras de itens alimentícios não puderam ser exportados para programas de alimentação escolar e hospitalar.

 

Apoio do Governo de São Paulo

  • Liberação de Créditos Acumulados de ICMS via Programa ProAtivo, até R$ 1,5 bilhão em créditos de ICMS para empresas exportadoras com créditos acumulados aptos à transferência.
  • Ampliação da Linha de Crédito Giro Exportador de R$ 200 milhões para R$ 400 milhões.

Além dos pacotes anunciados, a cidade de Franca exporta para outros 26 países e possui produtos de alta qualidade, aceitos no mundo todo, abrindo a possibilidade de encontrar novos mercados e diversificar ainda mais a gama de compradores para seus produtos.

Apesar do cenário desafiador, a expectativa é que a indústria calçadista consiga ampliar sua presença em novos mercados e que os pacotes de apoio governamentais contribuam efetivamente para mitigar os impactos negativos das tarifas americanas sobre os produtos brasileiros.

 

Por Rodrigo Souza, economista do Instituto de Economia da ACIF / Imagem de Freepik

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