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Saúde mental no dia a dia: como metas, hábitos e comportamento impactam sua qualidade de vida

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Notícias 04 Mar, 2026
Série Vida Saudável do Portal ACIF destaca a importância da saúde mental, da construção de metas realistas e do equilíbrio emocional na rotina

A série Vida Saudável, do Portal ACIF (Associação do Comércio e Indústria de Franca), chega ao último tema da série reforçando que saúde não se resume ao corpo. Depois de abordarmos alimentação, acompanhamento clínico e cuidados físicos, é hora de olhar para a mente e entender como comportamento, metas e emoções influenciam diretamente a qualidade de vida.

Para falar sobre o assunto, o convidado é o psicólogo Igor Siffoni, da Hapvida, que destaca que saúde mental não está separada da rotina. Pelo contrário: ela se manifesta nas escolhas diárias, nos hábitos que cultivamos e na forma como lidamos com nossas emoções e metas.

Hábito saudável ou comportamento compulsivo?

Segundo o especialista, a principal diferença está na função do comportamento, e não apenas no que a pessoa faz. Um hábito saudável é flexível: pode ser iniciado, interrompido ou ajustado conforme o contexto, sem gerar sofrimento intenso, culpa excessiva ou sensação de perda de controle. Além disso, costuma estar alinhado aos valores pessoais e produzir consequências positivas no médio e longo prazo.

Já o comportamento compulsivo tende a ser rígido e repetitivo. Muitas vezes, surge como resposta automática a estados internos desconfortáveis, como ansiedade, estresse ou frustração. Nesses casos, a ação funciona como alívio imediato, mas temporário. Um sinal de alerta é quando a pessoa sente que “não consegue parar”, mesmo reconhecendo os prejuízos envolvidos.

Emoções descontadas na comida, nas compras ou no trabalho

Comer, comprar ou trabalhar em excesso podem oferecer uma sensação rápida de alívio diante de emoções desagradáveis. O problema é que esse efeito é passageiro. A emoção retorna, às vezes até mais intensa, aumentando a chance de repetição do comportamento e criando um ciclo automático que não resolve a origem do sofrimento.

Metas sem autocobrança excessiva

É possível estabelecer metas sem cair na rigidez. Para isso, elas precisam ser específicas, possíveis e graduais, considerando o contexto e o momento de vida de cada pessoa. Metas muito rígidas e irreais tendem a gerar frustração e sensação de fracasso.

Uma construção saudável envolve flexibilidade e revisão de expectativas. Em vez do pensamento “preciso dar conta de tudo”, a proposta é refletir: “o que é possível fazer hoje dentro da minha realidade?”. Esse ajuste reduz o sofrimento emocional e aumenta as chances de constância.

Quando a rotina deixa de ser saudável

Cansaço constante, culpa ao descansar, dificuldade de flexibilizar horários e perda de prazer nas atividades são alguns sinais de que a relação com a rotina pode estar desequilibrada. Quando o dia se torna apenas uma sequência de obrigações, sem espaço para pausas e momentos de prazer, a saúde mental tende a ser afetada.

Pequenas mudanças que fazem diferença

Grandes transformações costumam ser difíceis de manter. Já pequenas mudanças consistentes podem gerar impactos duradouros. Entre elas: regular melhor o horário de sono;  inserir pausas curtas ao longo do dia;  reduzir estímulos que geram sobrecarga; e incluir atividades prazerosas, mesmo que breves.

A constância é o que sustenta a mudança.

Terapia é só para momentos de crise?

A terapia não é apenas para situações limite. Ela também atua na prevenção e no autoconhecimento. O processo terapêutico ajuda a compreender padrões de funcionamento, desenvolver novas habilidades emocionais e construir formas mais saudáveis de lidar com frustrações, ansiedade e escolhas.

Buscar acompanhamento profissional não significa fraqueza, mas responsabilidade consigo mesmo.

E para quem diz que “não tem tempo”?

O psicólogo reforça que saúde mental não é algo para quando sobra tempo. É justamente o cuidado com a mente que organiza o restante da vida. Muitas vezes, a falta de tempo está ligada a padrões que priorizam sempre demandas externas em detrimento das próprias necessidades.

Cuidar da saúde mental pode começar com pequenas escolhas conscientes, revisão de prioridades e criação de espaços mínimos de pausa. Quando possível, o acompanhamento profissional auxilia nesse processo de forma gradual e sustentável.

Cuidar da mente é um processo

“Cuidar da saúde mental é um processo contínuo, feito de escolhas diárias, ajustes na rotina e maior consciência sobre nossos comportamentos. Mudanças pequenas, quando feitas de forma consistente, podem transformar a forma como lidamos com emoções, metas e com a vida como um todo. Buscar ajuda, se observar e se permitir mudar é um passo importante para viver com mais equilíbrio e bem-estar”, conclui Igor Siffoni.

 

 

 

Carolina Ribeiro/Portal ACIF     Foto: Imagem Ilustrativa Freepik

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