Depois de abordar alimentação com nutricionista e cuidados clínicos gerais, o especial Vida Saudável do Portal ACIF avança para um ponto essencial quando o assunto é bem-estar: o movimento seguro e orientado.
A fisioterapeuta Bruna Machado, da Hapvida, reforça que a fisioterapia vai muito além da reabilitação e pode ser uma grande aliada, tanto na prevenção de lesões quanto na melhoria da qualidade de vida.
Erros comuns ao começar a se exercitar
Segundo a fisioterapeuta, iniciar uma atividade física é uma excelente decisão, mas começar sem orientação adequada pode trazer riscos. “Iniciar de qualquer maneira, sem orientações médicas, fisioterapêuticas ou de um educador físico, pode levar a lesões musculares e articulares, além de desistências precoces”, explica.
Entre os erros mais comuns estão a tentativa de compensar o tempo parado com treinos intensos e diários, copiar exercícios da internet sem considerar as particularidades do próprio corpo, ignorar aquecimento e alongamento, não respeitar o descanso e desconsiderar sinais de dor.
“Muitas pessoas passam longos períodos sem praticar atividade física e, quando decidem começar, exageram na intensidade. Toda atividade exige adaptação progressiva”, destaca.
Dor é normal ou sinal de alerta?
A profissional explica que é importante diferenciar o desconforto adaptativo de sinais de alerta. Sensações como queimação muscular durante o exercício ou a chamada dor muscular tardia, que surge entre 24 e 72 horas após a prática, podem ser consideradas normais no processo de adaptação.
Por outro lado, dor aguda em pontada, dor articular, dor localizada e unilateral, que piora com o movimento ou não melhora após 48 horas, além de dor acompanhada de perda de força ou instabilidade, merecem atenção. Nesses casos, a orientação é suspender a atividade e buscar avaliação profissional.
Alongar antes ou depois do treino?
Faz diferença, sim. O que muda é o tipo de alongamento. Antes do treino, são indicados alongamentos dinâmicos e exercícios de mobilidade, que preparam o corpo para o movimento. Já os alongamentos estáticos são mais recomendados após a atividade, ajudando a reduzir a sensação de rigidez e promovendo relaxamento muscular.
Cuidados para quem trabalha sentado
Para quem passa muitas horas sentado, o principal problema não é a posição em si, mas o tempo prolongado sem movimento. A recomendação é realizar pequenas pausas ao longo do dia. A cada 60 minutos, o ideal é levantar, caminhar, alongar braços e pernas e mobilizar regiões como pescoço, ombros e coluna.
Alguns ajustes ergonômicos também são importantes: pés apoiados no chão, coluna encostada no encosto da cadeira, tela do computador na altura dos olhos e ombros relaxados.
Fisioterapia também é prevenção
Existe um mito de que a fisioterapia atua apenas na reabilitação, mas sua atuação preventiva é fundamental. Entre os principais benefícios estão a correção da postura e de padrões de movimento, a identificação de desequilíbrios musculares, a prevenção de sobrecargas e a melhora da mobilidade e da estabilidade.
“A fisioterapia também educa o paciente para que ele não precise procurar ajuda apenas quando o problema já está instalado”, afirma Bruna.
Movimento com constância e planejamento
Para quem está iniciando ou retornando à atividade física, a orientação é começar de forma gradual, sem cobranças excessivas em relação à carga ou intensidade. No início, a frequência costuma ser mais importante do que a duração.
Escolher uma atividade com a qual a pessoa tenha afinidade também é decisivo para manter a constância. “O corpo foi feito para se movimentar. Esse movimento só precisa ser planejado de acordo com a necessidade de cada um, respeitando limites”, reforça.
Com informação, orientação e acompanhamento profissional, o cuidado com o corpo deixa de ser apenas corretivo e passa a ser preventivo, um passo essencial para uma vida mais saudável.
Carolina Ribeiro/Portal ACIF Foto: Imagem Freepik