A ACIF (Associação do Comércio e Indústria de Franca) participou de um encontro promovido pelo Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) que reuniu representantes do poder público, entidades e sociedade civil para discutir os desafios e as transformações nas relações de trabalho.
O presidente da entidade, Fernando Rached Jorge, integrou a mesa de autoridades ao lado do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, do presidente do Sindifranca Toni Hajel, da presidente da OAB, Luiza Gouvêa, do vereador Gilson Pelizaro e da representante do Ministério do Trabalho de Franca Eloá Patrocínio. O encontro contou ainda com a participação virtual do secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços, Uallace Moreira Lima.
Durante sua participação, Fernando Jorge destacou a importância de discutir as novas formas de trabalho e os impactos das transformações no mercado, com atenção especial à chamada uberização do trabalho. O tema envolve o crescimento de atividades intermediadas por plataformas digitais e os desafios relacionados à geração de renda e direitos trabalhistas.

“A discussão é relevante diante das mudanças pelas quais o mercado vem passando e da necessidade de construir um ambiente que considere tanto a realidade dos trabalhadores quanto a das empresas”, afirma Fernando.
A presença da ACIF reforça o compromisso da entidade com o acompanhamento de temas que impactam diretamente o ambiente empresarial e o desenvolvimento econômico de Franca, contribuindo para o diálogo entre iniciativa privada, poder público e sociedade.
Confira a entrevista concedida pelo Ministro do Trabalho, Luíz Marinho à imprensa:
O Sindicato do Calçado afirma que a indústria foi muito afetado por este tarifaço (sobretaxas alfandegárias de 25% impostas pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil). O que o ministro pode falar sobre estratégias para driblar essa situação?
Primeiro acho que, a questão do tarifaço, nós conseguimos amenizar bastante e, em alguns casos, livrar completamente... A partir de abril, abrimos 600 novos mercados para os produtos brasileiros, mas, tem alguns segmentos que estão sacrificados, como é o caso da produção de calçados. Nós precisamos ouvi-los. Pedi ao secretário Uallace, do MDIC, para falar por vídeo, escutar e estudar. O governo, nosso presidente, costuma ter uma sensibilidade de escuta. Então, escutar o setor, inclusive as suas sugestões de como pensar, se tem algo a fazer... essa é a nossa missão aqui hoje. Vamos escutar bastante. Mais do que falar, ouvir para acolher a demanda real e concreta do setor para ir em busca da proteção da nossa indústria, dos postos de trabalho, proteger os trabalhadores e trabalhadoras... essa é a nossa missão, hoje.
O senhor fala em proteger o emprego, as indústrias, e, cada vez mais, a gente vê notícias que não são tão agradáveis – principalmente ligadas a essa taxa de juros. O que pode ser feito, ministro, o que pode ser estudado?
Veja, nós estamos trabalhando o processo e a combinação importante da manutenção da inflação sob controle, gerar empregos e, acima de tudo, a busca de também adequar as taxas de juros olhando as consequências globais. É reconhecido que nós tivemos vários episódios que interferiram na economia brasileira. Nós podemos falar das guerras – que estão interferindo há muito tempo, inicialmente Rússia e Ucrânia, que impactou bastante, por exemplo nos fertilizantes brasileiros, petróleo -, agora, a famigerada guerra do Trump (Donald, presidente dos Estados Unidos) contra o Irã, que vem, de novo, agregar muito mais problemas e o tarifaço. A combinação desses três fatores impactou nos juros brasileiros, impactou o desempenho da economia brasileira. Apesar de tudo isso, nós temos um saldo positivo de empregos gerados em três anos e meio de 10.100.000 de empregos. Nós estamos conseguindo enfrentar essa adversidade do impacto da economia global na economia brasileira, protegendo os empregos. Agora, precisamos olhar as especificidades que estão mais sofrendo, como é o caso do setor de calçados.
Por que está tão difícil resolver essa questão do tarifaço?
Eu acho que isso é uma pergunta com uma resposta... que eu poderia perguntar para você: vocês estão enxergando a insanidade do governo americano em relação ao tarifaço. Não há nenhuma justificativa para essa ação do governo americano. Infelizmente, não é só o Brasil que está sofrendo com isso.
Ministro, sobre a cidade de Franca: o setor calçadista, o setor de vestuário... o que o Ministério pode fazer para tentar amenizar todo esse tarifaço?
Olha, vai depender muito da visão dos empresários... precisamos olhar a visão deles e observar. O que nós podemos fazer: nós podemos, eventualmente, disponibilizar recursos, linhas de financiamento, discutir adequação da taxa de juros para isso, dialogando com o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento), dialogando com instituições financeiras, especialmente as públicas, para poder dar suporte à indústria.
Existe, neste momento, algum tipo de diálogo aberto em relação à questão de flexibilizar a questão do calçado? Existe ou, por enquanto, as conversas estão paradas?
Eu creio que eles têm dialogado, já, com o MDIC, que é o setor responsável por lidar com a indústria neste aspecto. Mas, eu tenho a responsabilidade de olhar o impacto do emprego e, portanto, interagir neste assunto, que é o que vamos fazer hoje.
E em relação à escala 6x1: como está esta questão? Deve ser votada antes da eleição?
É uma pergunta que nós precisamos fazer ao presidente do senado, Davi Alcolumbre. Ele segurou, “sentou em cima” por um bom tempo e agora ele “tirou o pé” de cima desse assunto e agora as coisas começam a andar no senado. Se o senado observar uma agilidade nesse processo, é plenamente possível, na semana que vem, estar aprovado, na primeira semana de setembro estar aprovado. Agora, é uma resposta que o executivo não tem a mínima condição de ‘fazer’. Nós estamos ponderando, estamos conversando com senadores e senadoras. A área política do governo dialoga diariamente com as lideranças e com a mesa diretora do senado, para que as coisas aconteçam. Vamos torcer.
Tarissa Esteves, assessora de imprensa da ACIF / Imagens ACIF e Camila Cantarino.
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